sexta-feira, janeiro 05, 2007

sem título

Não! Não há pulmões
A linguagem se desperdiça em outras regiões
Você entrou no seu lugar

Como! Eu?
... com você?
(...)

Bem! com você aprendi palavras novas
Eu sou papel. Perigo transformar no que escrevo
Não perturbo.
Seja ela a minha respiração
Por um golpe alegre da língua
Perto de seus orgãos genitais
Meu peso apoiado sobre meus braços
Seu gosto é tudo...

Hoje é tudo!

Tive então minha linguagem mergulhada
Dentro de outro ser humano.
Desviada para dentro de um lugar que não é o seu.

Não há uma só palavra
Que não seja arremessada para fora de mim
Com força.

Não há palavra que não mude o comportamento.

Você parece um escritor?
Eu pareço?

Onde estou, eu?
Comecei em sexo e terminei em língua!

terça-feira, novembro 28, 2006

Deito...


...
- Desculpe...
- Está tudo bem.
- Eu não devia ter feito isso.
- Está tudo bem, já disse!
- Eu não sei o que me deu...
- Tiago, eu já disse... Esquece isso!

quarta-feira, novembro 08, 2006

sem nome


I

Por que me escondem os calabouços?
Negro, sou negro
Ave de vulto marginal
Asas negras acompanham o meu vôo
Insípido.

Eu nu, coroado ao meu gosto
Co’as roupas do velho rei
Minotauro me espera na caverna
O mundo olha calado
O minotauro e eu.


II

Aquele velho santo me olha
Co’a cabeça emendada no pescoço
Olha e julga com a cabeça trocada
Ele pensa:
-Quase dez anos...
-Foram quase dez anos.

Eu me calo
O silêncio acusa aquela precisão
Posso olhar ao meu redor
Mas quem saberá?

Alguém saberá dos meus pensamentos
Alguém saberá dos meus maus pensamentos
Alguém saberá que sou mau
Ah! Baixo a cabeça, condenado.


III

Baixo a cabeça e escondo meus olhos
Tenho medo que alguém leia
Através de meus olhos o meu espírito mau
Escondo meus dentes atrás dos lábios
Um sorriso triste se anuncia
Levanto os meus olhos tristes
Sorrio sorriso calado
Minha boca ainda esconde meus dentes
Não a abro
Sorrio assim meu sorriso calado
Tivesse eu garra ao invés de dentes.


IV

Trocaria meus dentes
Se me ofertassem garras
Teria olhos frios
Talvez um olho vazado
Seria assim criatura forte
Após nove anos e meio no deserto
Emergiria de lá homem forte
Armado
Traria gengivas nuas
Teria dois olhos maus
Na ponta de cada dedo, uma garra afiada
Na pele, um suor mal lavado
Um cheiro de urina no saco
Pelo aspecto mau
Pensariam que sou forte
Colocariam pratos de comida aos meus pés
Copos cheios de sangue de cabras imoladas
Rezariam missas em meu nome
Tudo que aplacasse meu ódio.

Eu não diria nada
Um deus nunca responde orações
Teria uma virgem por noite
Em minha cabana.


V

Mas sobrevivi fraco
Magro, pálido e caído
Rastejando como quem perdeu a guerra
E sendo a guerra já perdida
Escondeu.

Perder uma guerra de dez anos
Como Tróia
Cortar fora as próprias pernas
Durante luta feroz
Em meu ombro direito a marca da derrota
Marcado, como o gado é marcado
Com a doce ternura da posse
Andei mais para o leste
Procurando o mar
Encontrei muralhas ao meu redor.


VI

O amor escondeu fundo seus braços
Dentro do meu peito
O amor sorriu para mim
Tem gengivas nuas e mal cheirosas
Tem garras nas pontas dos braços
Tem asas e bicos de corvos
Dependurados no pescoço
Como se fosse um colar
E, fosse como fosse
Eu abracei esse amor...

Era ele mesmo o amor?


VII

Sobre a minha mesa, folhas de papel cartão
Com meu coração desenhado
(Quem reconheceria?)
Vontade de colocá-los no correio
Todos
Todos os meus corações espalhados pelo mundo
Como se o vento os tivessem levado
Todo o mundo seria o meu cronista
De milhares de cronistas espalhados
Como se tivessem todos escapado
De minha escrivaninha.



VIII

Freqüenta a voz fatal do meu algoz?
Uma fumaça de cigarro invade o meu quartel
Sabe onde moro?
Conhece a noite em que estou?


IX

Formigas imaginárias
Freqüentam um prato sujo que repousa
Em meu lugar, sobre a minha cama
Eu, nessa escrivaninha
Desenhando corações em papéis cartão
Estou no lugar errado
Pois a noite se adiantou bastante
Estou no lugar do copo
Um copo que dorme e sonha com formigas
Se eu não estivesse com fome
Eu sonharia também.

Eu vejo o sonho do copo
Eu vejo o copo sonhando.


X

Num mesmo quarto:
Eu, um copo dormindo em meu lugar
E as formigas que o copo sonha.

Emirjo de um sonho assim:
Sedento, alquebrado, procurando a porta
Que dá mais facilmente para a sua casa.

É verdade que um copo sonha em meu lugar?


XI

Procuro a representação mais sonolenta da humanidade
Recordo os dias de sonhos
E algumas solenidades

Imagino um sol de um dia quente
E lembro de seus olhos
Enormes olhos maquiados
Que parecem ainda maiores assim
Lembro da festa em que dançava
Para um número infinito de homens
Rebanhos enormes e criminosos
Que, de repente, se sentem puros
Ao sentar na cama e sonharem com você...

Isso! devo evitar os sonhos
Devo evitar seus olhos
Que o copo sonhe com formigas
Isso é bem menor que o meu sofrimento.


XII

Ah, pudesse eu mesmo sonhar com formigas
Desobrigaria o copo dormir por mim
Esse sonho do copo
Parece tanto com um sonho meu

Uma vez eu sonhei com formigas


XIII

Velozes, dez anos se assentaram sobre mim
A tristeza ergueu paredes
Como se fosse uma casa sem portas
Sem janelas
Ah, tristeza itinerante!
Visita essa casa ainda para ontem
Traga notícias boas de desconhecidos meus
(Sim, isso mesmo, isso tudo que é novidade
De seres que não ocupam demograficamente meus sonhos)
Grande surpresa!
Traga boas novas de pessoas
Que ainda não bateram à minha porta
Que não me pediram sopa

Quero notícias novas de pessoas novas
Que bela surpresa!

COPÉRNICO



Essa noite eu sonhei

Com palavras enormes

Palavras na estante sonhavam comigo

Mobiliávamos mundos gigantes

Árvores, somos tantas.

sábado, novembro 04, 2006

A mulher e o anjo

segunda-feira, outubro 30, 2006

anatomias II

sexta-feira, outubro 27, 2006

anatomias I